uma amiga mais do que especial me escreveu um e-mail esses dias sobre esse meu sumiço. nao foi só ela, eu sei. ultimamente, tenho recebido muitos e-mails saudosos, perguntando o porquê desse meu isolamento com o mundo exterior.
mas ela, mais uma vez provando a perfeita sintonia que temos, conseguiu traduzir com palavras lindas esse momento que venho passando:
“gosto de ver e sentir um pouco essa “ausência”… simboliza o tempo de cada um, a liberdade de não aparecer sempre e aparecer despretenciosamente cheio de brilho!
gosto de entrar no blog e ver que você escolheu um tempo seu, que agora, de momento, não divide…hoje entendo que podem ser nesses momentos de aparente “solidão” que, pela primeira vez, vemos o outro.”
estava em um momento que não podia dividir. gosto de me dar inteira a tudo o que faço, e não conseguiria mergulhar de cabeça na busca espiritual que me propus a seguir se ficasse “caraminholando” o que escrever no blog.
e sim, ela estava certa. mergulhei nesse momento de aparente solidão para aprender a realmente enxergar o outro. aprender o verdadeiro sentido do amor.
e venho aprendendo com quem só tem amor pra oferecer.
sai de lucknow no dia 8 de abril, mais de um mês atrás. sentia que havia aprendido as lições que o trabalho na ong tinha pra me ensinar, e me dei conta de que era hora de buscar novos ares.
atenta às “coincidências” que o destino nos coloca, parti rumo a Kerala, no sul da India.
primeira parada: Amritapuri Ashram, o ashram da Amma.
resolvi ir conhecer essa pessoa tão especial, que dedica a vida a servir os outros. um amigo muito querido havia me falado dela no Brasil, e depois de dar uma olhada no site, decidi que tinha que ir receber esse tal de abraço sagrado.
fui para o ashram sabendo que ela não estaria lá. na verdade passa metade do ano fazendo tours pela India, Estados Unidos, Europa, etc. fazendo o que? giving LOVE. simples. amor universal, ela diz. aquele mesmo amor que uma mãe sente pelo filho, com compaixão, sem ego, completly selfless.
“a essência maternal não se restringe as mulheres que deram a luz; é um princípio inerente ao ser humano, mulher ou homem. é um estado e espírito. é amor – e essse amor é o próprio sopro da vida. ninguém diz: só vou respirar na frente de meus amigos. não vou respirar na frente de meus inimigos. similarmente, para aqueles que despertaram para a maternidade, o amor e a compaixão diante de todos fazem parte de seu ser, tanto quanto respirar.”
Amma
ela dá esse amor através do abraço basicamente. o tour é para dar oportunidade as pessoas que não tem dinheiro para ir ao ashram de ter esse contato com a Amma e obter sua “graça”.
digo graça pois ela está longe de ser uma pessoa como outra qualquer. dizem que ela é um ser iluminado, uma Mahatma (grande alma), como Gandhi, Cristo e outros menos conhecidos. já atingiu o estágio máximo, sua verdadeira essência e encontrou a paz interior. mas diferente de outros Mahatmas que ao chegar nesse estágio, deixam o corpo (o que chamamos de morte), ela está aqui na terra nessa forma humana para ajudar-nos a evoluir.
outros dizem que ela é a própria incorporação de Deus.
papo muito louco para nossas mentes cheias de conceitos pré-estabelecidos, eu sei.
prefiro dizer que, independente de qualquer nomenclatura, a Amma tem o Amor Divino dentro dela. amor incodicional, que enxerga todos como iguais. não se considera diferente de mim ou de vocês. porque todos somos “God”, temos o Deus aqui dentro.
“de acordo com a escrituras da India, não existe diferença entre o Criador e a criação, da mesma forma que não existe diferença entre as ondas e o oceano. a essência do oceano e das suas ondas é a mesma: água. o ouro e os ornamentos de ouro tem a mesma essência, porque são feitos da mesma substância. o barro e os potes de barro são a mesma coisa no final das contas porque o pote é feito de barro. portanto, não existe diferença entre o Criador, ou Deus, e a criação. são essencialmente o mesmo: Consciência Pura. por isso, devemos aprender a amar a todos igualmente, porque, em essência, somos um só, o atman. somos todos uma alma ou Eu Superior. embora exteriormente as coisas pareçam diferentes, internamente são manifestações do Eu Superior Absoluto.”
Amma
“você pode negar Deus dizendo: “Deus e só uma crença”, mas a existência não pode ser refutada. essa existência, esse poder cósmico, é Deus. Deus não tem mãos, pernas, olhos ou corpo separado, diferente do nosso. ele se move através de nossas mãos, anda com nossas pernas, vê através de nossos olhos, e é Ele que bate dentro de cada um de nossos corações.”
Amma
nossa verdadeira essência é a mesma. só temos que buscá-la.
como? love and compassion to others, spiritual practices and selfless services.
e tudo isso ela ensina na prática.
está fazendo um bem sem tamanho ao universo.
tem milhares de projetos humanitários e um fundo para ajudar – com uma velocidade assustadora – os grandes desastres naturais como tsunami, enchentes, tornado.
e não apenas na India. estava lá com seus volutários para ajudar o Sri Lanka depois do Tsunami, nos Estados Unidos depois do furacão Katrina, Caxemira depois do terremoto, e etc.
o dinheiro para tudo isso vem de doações de todo o mundo, e de qualquer dinheiro gerado no ashram e nos tours, principalmente internacionais. venda de livros, cds, banca de sucos, etc etc. TODO o dinheiro vai direto para a caridade, porque ninguém, absolutamente ninguém, é remunerado por qualquer trabalho executado.
pessoas trabalhando com o coração, não por dinheiro.
trabalhando para o outro, sem esperar nada em troca.
por isso flui.
perfeitamente.
depois de uma semana no ashram, me juntei a outros no tour pelo norte de kerala.
nunca vi um festival gigantesco desse jeito acontecer tão redondamente. lista gigante de “sevas” (selfless services) que você se inscreve para algumas horas diárias trabalhando a serviço do amor.
sempre preenchidas. pessoas trabalhando com sorriso porque sabem que estão fazendo o bem a outros.
“onde há amor, não há esforço. a felicidade das pessoas é o meu descanso.”
Amma
o tour durou 10 dias, em três cidades.
em cada cidade 2 dias.
em cada dia 2 programas.
os programas funcionam assim:
pela manhã, há sessões de archana, que é basicamente um canto dos 1.000 names of the Divine Mother.
dura mais ou menos 1 hora e é muito, muito forte. especial.
as pessoas vão chegando, e pegam os tokens, que é uma senha para receber o abraço. depois sentam e esperam, ouvindo os cantos.
também é servido café-da-manhã, almoço e jantar. de graça, para quem quiser.
panelas gigantes de comida são preparadas todos os dias.
a primeira aparição da Amma é por volta das 10h. ela chega, canta os bhajans, que são cantos devocionais, lindos, faz um discurso e a sessão de darshans (abraços) começa por volta das 13h e normalmente vai até as 17h.
uma loucura completa. estrutura gigante montada só com trabalho voluntário. todos que trabalham para fazer esse evento acontecer estão lá por puro amor e devoção a Amma, e ao que ela prega.
o staff devia ter mais de 400 pessoas, para atender centenas e centenas de indianos ansiosos por aqueles 2 segundos de abraço.
depois ela volta aos bhajans umas 19h, discurso e recomeça o darshan por volta das 22h. e vai madrugada adentro. não tem limite. ela abraça TODOS. enquanto pessoas quiserem ser abraçadas, ela fica lá.
no último dia do evento, os darshans terminaram ao amanhecer, umas 6 da manhã. ou seja, 8 horas de non-stopping hugs.
no mínimo, deve-se reconhecer que essa mulher é muito muito especial.
“enquanto existir força suficiente nestas mãos para alcançar aqueles que vêm até elas e para que a Amma possa colocá-las nos ombros de alguém que chora, ela vai continuar a dar o darshan. acariciar as pessoas amorosamente, consolar e enxugar suas lágrimas até o fim deste corpo mortal: este é o desejo da Amma.”
Amma
quando você está perto, sente a energia. impossível não abrir um sorriso e sentir o coração vibrar de tanto amor.
fui para meu primeiro darshan e foi uma experiência muito louca.
tudo acontece num estalo. esmagada no meio de um monte de gente, fui caminhando em direção a Amma no que parecia ser uma linha de montagem: prendedor de cabelo, tira. bolsa, entrega para a outra mulher. uma outra literalmente te empurra pra Amma, e dois segundos depois te puxa de volta e te joga na saída, onde há outra pessoas te empurrando pra fazer a fila andar.
loucura completa.
sai completamente desestruturada. ao mesmo tempo que me senti invadida, e de certa forma agredida por todas aquelas pessoas e a velocidade com que tudo aconteceu, estava aérea, em outro plano, como que num transe.
uma mistura de sentimentos tomava conta de mim. a mente demorava a assimilar, mas o corpo sentia. conseguia sentir o fluxo de energia subindo e descendo. sentei na primeira cadeira que vi. não via nada. não ouvia ninguém.
tanto sentimento transbordou pelo meu corpo e as lágrimas escorreram dos meus olhos sem que eu tivesse controle algum.
completamente irracional, impossível explicar.
mas lindo, lindo.
depois fui entender um pouco mais esse tal de abraço e percebi que não é para ser racional mesmo. nossa mente é muito limitada para entender certas coisas. o amor universal está muito além, não cabe dentro da nossa mente cheia de pré-conceitos e julgamentos.
o fato é que “love is our true essence” e a Amma, ao te abraçar, ajuda a abrir o coração e faz com que ele nos guie rumo a essa nossa verdadeira essência.
quero me aprofundar nisso depois, mas se começar não paro mais, então deixo para contar uma linda história sobre a francesa Catarina e seu filho nos próximos capítulos.
ainda sei muito pouco para falar. mas definitivamente vou estar perto para saber mais.
fico por aqui, no ashram, até não sei quando.
por hora sigo meu coração, que está cada dia mais leve e getting bigger and bigger.
espero que essas poucas palavras ajudem a expandir o coração de vocês também.
“que a árvore de nossas vidas tenha raízes firmes no solo do amor.
que boas ações sejam as folhas desta árvore.
que palavras de bondade formem suas flores.
e que a paz seja seus frutos.
vamos crescer e desabrochar como uma família, unidos pelo amor, para que possamos alegrar-nos e celebrar nossa unidade em um mundo onde a paz e a felicidade prevaleçam.”
Amma
namastey
camilla
Lokah Samastha Sukhino Bhavantu
que todos os seres em todos os mundos sejam felizes.
Aum Shanti shanti Shanti
paz paz paz




































































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