The hugging mother

•16/05/2009 • 5 Comentários

uma amiga mais do que especial me escreveu um e-mail esses dias sobre esse meu sumiço. nao foi só ela, eu sei. ultimamente, tenho recebido muitos e-mails saudosos, perguntando o porquê desse meu isolamento com o mundo exterior.
mas ela, mais uma vez provando a perfeita sintonia que temos, conseguiu traduzir com palavras lindas esse momento que venho passando:

“gosto de ver e sentir um pouco essa “ausência”… simboliza o tempo de cada um, a liberdade de não aparecer sempre e aparecer despretenciosamente cheio de brilho!

gosto de entrar no blog e ver que você escolheu um tempo seu, que agora, de momento, não divide…hoje entendo que podem ser nesses momentos de aparente “solidão” que, pela primeira vez, vemos o outro.”

estava em um momento que não podia dividir. gosto de me dar inteira a tudo o que faço, e não conseguiria mergulhar de cabeça na busca espiritual que me propus a seguir se ficasse “caraminholando” o que escrever no blog.
e sim, ela estava certa. mergulhei nesse momento de aparente solidão para aprender a realmente enxergar o outro. aprender o verdadeiro sentido do amor.
e venho aprendendo com quem só tem amor pra oferecer.

sai de lucknow no dia 8 de abril, mais de um mês atrás. sentia que havia aprendido as lições que o trabalho na ong tinha pra me ensinar, e me dei conta de que era hora de buscar novos ares.
atenta às “coincidências” que o destino nos coloca, parti rumo a Kerala, no sul da India.
primeira parada: Amritapuri Ashram, o ashram da Amma.
resolvi ir conhecer essa pessoa tão especial, que dedica a vida a servir os outros. um amigo muito querido havia me falado dela no Brasil, e depois de dar uma olhada no site, decidi que tinha que ir receber esse tal de abraço sagrado.

fui para o ashram sabendo que ela não estaria lá. na verdade passa metade do ano fazendo tours pela India, Estados Unidos, Europa, etc. fazendo o que? giving LOVE. simples. amor universal, ela diz. aquele mesmo amor que uma mãe sente pelo filho, com compaixão, sem ego, completly selfless.

“a essência maternal não se restringe as mulheres que deram a luz; é um princípio inerente ao ser humano, mulher ou homem. é um estado e espírito. é amor – e essse amor é o próprio sopro da vida. ninguém diz: só vou respirar na frente de meus amigos. não vou respirar na frente de meus inimigos. similarmente, para aqueles que despertaram para a maternidade, o amor e a compaixão diante de todos fazem parte de seu ser, tanto quanto respirar.”
Amma

ela dá esse amor através do abraço basicamente. o tour é para dar oportunidade as pessoas que não tem dinheiro para ir ao ashram de ter esse contato com a Amma e obter sua “graça”.
digo graça pois ela está longe de ser uma pessoa como outra qualquer. dizem que ela é um ser iluminado, uma Mahatma (grande alma), como Gandhi, Cristo e outros menos conhecidos. já atingiu o estágio máximo, sua verdadeira essência e encontrou a paz interior. mas diferente de outros Mahatmas que ao chegar nesse estágio, deixam o corpo (o que chamamos de morte), ela está aqui na terra nessa forma humana para ajudar-nos a evoluir.
outros dizem que ela é a própria incorporação de Deus.
papo muito louco para nossas mentes cheias de conceitos pré-estabelecidos, eu sei.
prefiro dizer que, independente de qualquer nomenclatura, a Amma tem o Amor Divino dentro dela. amor incodicional, que enxerga todos como iguais. não se considera diferente de mim ou de vocês. porque todos somos “God”, temos o Deus aqui dentro.

“de acordo com a escrituras da India, não existe diferença entre o Criador e a criação, da mesma forma que não existe diferença entre as ondas e o oceano. a essência do oceano e das suas ondas é a mesma: água. o ouro e os ornamentos de ouro tem a mesma essência, porque são feitos da mesma substância. o barro e os potes de barro são a mesma coisa no final das contas porque o pote é feito de barro. portanto, não existe diferença entre o Criador, ou Deus, e a criação. são essencialmente o mesmo: Consciência Pura. por isso, devemos aprender a amar a todos igualmente, porque, em essência, somos um só, o atman. somos todos uma alma ou Eu Superior. embora exteriormente as coisas pareçam diferentes, internamente são manifestações do Eu Superior Absoluto.”
Amma

“você pode negar Deus dizendo: “Deus e só uma crença”, mas a existência não pode ser refutada. essa existência, esse poder cósmico, é Deus. Deus não tem mãos, pernas, olhos ou corpo separado, diferente do nosso. ele se move através de nossas mãos, anda com nossas pernas, vê através de nossos olhos, e é Ele que bate dentro de cada um de nossos corações.”
Amma

nossa verdadeira essência é a mesma. só temos que buscá-la.
como? love and compassion to others, spiritual practices and selfless services.
e tudo isso ela ensina na prática.

está fazendo um bem sem tamanho ao universo.
tem milhares de projetos humanitários e um fundo para ajudar – com uma velocidade assustadora – os grandes desastres naturais como tsunami, enchentes, tornado.
e não apenas na India. estava lá com seus volutários para ajudar o Sri Lanka depois do Tsunami, nos Estados Unidos depois do furacão Katrina, Caxemira depois do terremoto, e etc.
o dinheiro para tudo isso vem de doações de todo o mundo, e de qualquer dinheiro gerado no ashram e nos tours, principalmente internacionais. venda de livros, cds, banca de sucos, etc etc. TODO o dinheiro vai direto para a caridade, porque ninguém, absolutamente ninguém, é remunerado por qualquer trabalho executado.

pessoas trabalhando com o coração, não por dinheiro.
trabalhando para o outro, sem esperar nada em troca.
por isso flui.
perfeitamente.

depois de uma semana no ashram, me juntei a outros no tour pelo norte de kerala.
nunca vi um festival gigantesco desse jeito acontecer tão redondamente. lista gigante de “sevas” (selfless services) que você se inscreve para algumas horas diárias trabalhando a serviço do amor.
sempre preenchidas. pessoas trabalhando com sorriso porque sabem que estão fazendo o bem a outros.

“onde há amor, não há esforço. a felicidade das pessoas é o meu descanso.”
Amma

o tour durou 10 dias, em três cidades.
em cada cidade 2 dias.
em cada dia 2 programas.
os programas funcionam assim:
pela manhã, há sessões de archana, que é basicamente um canto dos 1.000 names of the Divine Mother.
dura mais ou menos 1 hora e é muito, muito forte. especial.
as pessoas vão chegando, e pegam os tokens, que é uma senha para receber o abraço. depois sentam e esperam, ouvindo os cantos.
também é servido café-da-manhã, almoço e jantar. de graça, para quem quiser.
panelas gigantes de comida são preparadas todos os dias.
a primeira aparição da Amma é por volta das 10h. ela chega, canta os bhajans, que são cantos devocionais, lindos, faz um discurso e a sessão de darshans (abraços) começa por volta das 13h e normalmente vai até as 17h.

uma loucura completa. estrutura gigante montada só com trabalho voluntário. todos que trabalham para fazer esse evento acontecer estão lá por puro amor e devoção a Amma, e ao que ela prega.
o staff devia ter mais de 400 pessoas, para atender centenas e centenas de indianos ansiosos por aqueles 2 segundos de abraço.
depois ela volta aos bhajans umas 19h, discurso e recomeça o darshan por volta das 22h. e vai madrugada adentro. não tem limite. ela abraça TODOS. enquanto pessoas quiserem ser abraçadas, ela fica lá.
no último dia do evento, os darshans terminaram ao amanhecer, umas 6 da manhã. ou seja, 8 horas de non-stopping hugs.
no mínimo, deve-se reconhecer que essa mulher é muito muito especial.

“enquanto existir força suficiente nestas mãos para alcançar aqueles que vêm até elas e para que a Amma possa colocá-las nos ombros de alguém que chora, ela vai continuar a dar o darshan. acariciar as pessoas amorosamente, consolar e enxugar suas lágrimas até o fim deste corpo mortal: este é o desejo da Amma.”
Amma

quando você está perto, sente a energia. impossível não abrir um sorriso e sentir o coração vibrar de tanto amor.

fui para meu primeiro darshan e foi uma experiência muito louca.
tudo acontece num estalo. esmagada no meio de um monte de gente, fui caminhando em direção a Amma no que parecia ser uma linha de montagem: prendedor de cabelo, tira. bolsa, entrega para a outra mulher. uma outra literalmente te empurra pra Amma, e dois segundos depois te puxa de volta e te joga na saída, onde há outra pessoas te empurrando pra fazer a fila andar.
loucura completa.

sai completamente desestruturada. ao mesmo tempo que me senti invadida, e de certa forma agredida por todas aquelas pessoas e a velocidade com que tudo aconteceu, estava aérea, em outro plano, como que num transe.
uma mistura de sentimentos tomava conta de mim. a mente demorava a assimilar, mas o corpo sentia. conseguia sentir o fluxo de energia subindo e descendo. sentei na primeira cadeira que vi. não via nada. não ouvia ninguém.
tanto sentimento transbordou pelo meu corpo e as lágrimas escorreram dos meus olhos sem que eu tivesse controle algum.
completamente irracional, impossível explicar.
mas lindo, lindo.

depois fui entender um pouco mais esse tal de abraço e percebi que não é para ser racional mesmo. nossa mente é muito limitada para entender certas coisas. o amor universal está muito além, não cabe dentro da nossa mente cheia de pré-conceitos e julgamentos.
o fato é que “love is our true essence” e a Amma, ao te abraçar, ajuda a abrir o coração e faz com que ele nos guie rumo a essa nossa verdadeira essência.
quero me aprofundar nisso depois, mas se começar não paro mais, então deixo para contar uma linda história sobre a francesa Catarina e seu filho nos próximos capítulos.

ainda sei muito pouco para falar. mas definitivamente vou estar perto para saber mais.
fico por aqui, no ashram, até não sei quando.
por hora sigo meu coração, que está cada dia mais leve e getting bigger and bigger.
espero que essas poucas palavras ajudem a expandir o coração de vocês também.

“que a árvore de nossas vidas tenha raízes firmes no solo do amor.
que boas ações sejam as folhas desta árvore.
que palavras de bondade formem suas flores.
e que a paz seja seus frutos.

vamos crescer e desabrochar como uma família, unidos pelo amor, para que possamos alegrar-nos e celebrar nossa unidade em um mundo onde a paz e a felicidade prevaleçam.”
Amma

namastey
camilla

Lokah Samastha Sukhino Bhavantu
que todos os seres em todos os mundos sejam felizes.

Aum Shanti shanti Shanti
paz paz paz

O poderoso Ganges

•07/04/2009 • 9 Comentários

com meus planos de sair de Lucknow muito antes do previsto, resolvi aproveitar para conhecer Varanasi no outro fim de semana.
estou há 6 horas de lá, arranjei carona pra ir de carro que sem dúvida é melhor que o trem, e pensei: ok, não posso deixar de conhecer a cidade mais sagrada da India, segundo o hinduísmo.
confesso que não esperava muito e de novo a India me surpreendendo: nunca imaginei passar por uma experiência nem próxima da que tive.

diz a lenda que Lord Shiva fundou Baranas, como também é conhecida, cerca de 5000 anos atrás. é citada nos textos antigos como Kashi, a cidade da luz. luz da consciência, luz da sabedoria, luz da compreensão espiritual. luz que destrói as trevas da ignorância.
o pecado e a maldade são considerados atos de ignorância. quando a sabedoria for adquirida, então o mau desaparece. não se elimina o pecado com preces, ele só pode ser eliminado através da sabedoria. a imortalidade também só é alcançada por meio da consciência e compreensão espiritual. por isso a Cidade da Luz é também considerada a Cidade da Sabedoria Eterna.
morrer às margens do rio Ganges (Mother Ganga) é promessa de redenção. garantia de atingir a iluminação ou moksha, que é a libertação do ciclo eterno de nascimento, morte e reencarnação.
pelo menos uma vez na vida, um hindu deve fazer a peregrinação até Varanasi. e todos os dias eles chegam de toda India para se banhar nas águas sagradas. há muitos abrigos para idosos que não tem família, ou que estão doentes, e optam por passar seus últimos dias se banhando no Ganga e se preparando para a morte e iluminação.

tudo acontece nos gaths, que são basicamente degraus em direção ao rio. são vários espalhados pelo Ganges, e um dos mais famosos é o Manikarnikha Ghat.


burning ghats

Manikarnikha Ghat ao fundo.
não são permitidas fotos nos burning ghats em sinal de respeito.


lá os corpos são queimados 24 horas por dia. os responsáveis pelos rituais são os Dom Rajas, membros da casta mais baixa, os intocáveis. para eles esse trabalho não é sacrifício, é honroso, sagrado. sentem orgulho pois é algo que vem de gerações, já que são os “guardiões da chama eterna”. dizem que essa chama foi acesa por Lord Shiva e entregue aos Doms, que são os responsáveis por mantê-la acesa ao longo desses milhares de anos.
o primeiro graveto que dá início à fogueira só pode ser aceso na chama sagrada, pelo marido ou irmão mais velho do falecido. antes disso, esse homem se banha no Ganges como ritual de purificação, e coloca uma roupa toda branca, própria para a ocasião.
com a chama na mão, dá-se 5 voltas na cama de madeira, uma para cada elemento que compõe nosso corpo: terra, fogo, água, vento e alma.
depois disso, acende-se a fogueira e todos os membros sentam-se próximos e ficam observando as chamas até só sobrarem cinzas.
mulheres não participam do ritual. “mulheres são muito emocionais”, um deles me disse. “esse é um momento de alegria, purifição. a alma quer ser libertada. aqui não é lugar para lamentações.” por isso mulheres devem ficar em casa.
quando finalmente o fogo se apaga, uma jarra com água do Ganga é quebrada em cima das cinzas, simbolizando o rompimento das relações entre o parente que morreu e a família.
a queimada do corpo dura em média 2 a 3 horas. os homens devem se sentar e assistir o fogo até a ultima chama. e se acredita que é nesse momento que se aprende sobre a vida: “burning is learning”.
hora para refletir sobre os mistérios da vida e da morte. o fogo ensina. ensina sobre a importância da vida, mas ensina a lhidar com a morte de uma forma mais leve, sem sofrimento, indignação. para eles é um momento natural, mais uma etapa. e nesse sentido também temos muito o que aprender com os indianos…

dependendo da situação financeira da família, pode ser que a madeira comprada não dê conta de queimar o corpo todo. então o que sobrar vai para o Ganges, mesmo fim dado as cinzas.
o que eles falam é que existem duas partes que nunca queimam. para o homem é o centro do peito, e para a mulher o quadril, que é onde nós concentramos a energia de Shiva em nossos corpos.
além disso, alguns corpos, como de crianças, homens sagrados e grávidas não podem ser queimados. vão direto para o rio, enrolados em um tradicional pano dourado, com uma pedra amarrada nos seus pés.

sei que tudo isso pode causar um estranhamento para nossas mentes ocidentais.
impossível não sentir um embrulho no estômago ao pensar que as pessoas se banham, lavam suas roupas, escovam os dentes, nadam e rezam para um rio cheio de pedaços de corpos, ossos e esgoto.

e mais uma vez a India e suas contradições me tiraram do eixo.
quando estava lá, na frente daquela imensidão, fui completamente abalada pela força do Ganges.
nos primeiros minutos já estava dominada por uma energia absurda, forte, diferente de tudo o que já havia sentido.
energia que deixa o ar denso, pesado de tanta história e espiritualidade vinda do rio.
em Varanasi deve se contar o tempo de outra forma. a vida acontece em camera lenta.
há um estado de alfa comum a todos. a mente demora para assimilar tanta energia. as pessoas andam devagar, falam sem pressa…o ritmo é outro.

os burning ghats e o Ganges influenciam todo o comportamento da cidade.

e lá, de frente para o rio, entendi essa relação dos hindus com o rio. não via sujeira, não via poluição. via o sagrado Ganges, e sua força me chamando para um banho nas águas purificadoras.

não. não fui.
minha consciência não deixou.
mas não posso negar que passou pela minha cabeça.
powerful Ganges.

nasmastey
camilla


varanasi




varanasi




ganges




ganges




ganges




ganges




ganges


“Banaras is older than history,older than tradition,older even than legend and looks twice as old as all of them put together.”
Mark Twain, english author and litterateur

Um presente chamado Goa

•23/03/2009 • 5 Comentários

no domingo, 09/03, fez um mês que India e eu nos conhecemos.
resolvi dar de presente para nós duas uma semaninha de férias em Goa, para desestressar essa curta e intensa relação.

mas confesso que nunca poderia imaginar um presente desses.
presente chamado transformação.
claro, estamos em constante transformação, o tempo todo, todos os dias. mas não é sempre que conseguimos vivenciar esse momento, sentir na pele e aproveitar cada segundo.

lá descobri mais sobre mim mesma.
me abri para novos rumos e possibilidades.
aprendi a me respeitar mais, respeitar o outro, o espaço do outro, aceitar as diferenças e receber de braços abertos as afinidades.

me dei conta que esse mundão é bem pequeninho e que pode-se encontrar irmãos de alma por aí.
pessoas que tiveram uma vida completamente diferente da minha, em todos os sentidos – geográfico, cultural, social, religioso – mas que agora cruzam meu caminho e se mostram tão próximos, com tantas vivências, experiências e pensamentos em comum, quanto tantas pessoas especiais que deixei no Brasil.
amigos pra trocar idéias musicais, culturais, ter papo cabeça ou viajar longe nas idéias transcendentais.

resumindo: mesma energia.
inevitável não lembrar dos amigos queridos e sentir aquela saudade apertada, mas por alguns dias me senti “em casa”.
como é bom entender e ser entendido sem precisar se esforçar.

“que loucura. você parece que nasceu em israel.”
“vocês é que parecem que nasceram no brasil.”

a verdade é que o mundo é um só.
somos todos partes de um mesmo todo.
e como foi gostoso perceber essa unidade em meio a tanta multiplicidade.

Goa sob meus olhos

estava quase lá na outra ponta da India , então a viagem não foi nada rápida.

pegamos um avião de Lucknow a Mumbai, e de lá decidiríamos como chegar em Goa. Ideia não muito inteligente, confesso, mas a única possível considerando que decidimos partir nessa viagem no dia anterior.

desembarcamos no aeroporto de Mumbai no Sábado por volta das 22h, um horário nada bom para encontrar trens e ônibus indo para Goa. tudo só no dia seguinte.
resolvemos checar os preços das passagens de avião e sim, tava muito barata. mas o vôo era só às 5h da manhã.
vamos? vamos!
mas não vou pagar um hotel pra dormir 5/6 horas..vamos passar o tempo por aqui mesmo.

e aquelas 6 horas livres se tornaram surpreendentemente agradáveis.
várias horas em um restaurante ótimo do lado do aeroporto, com preço super razoável, garçons pra lá de atenciosos, música ao vivo e..cerveja! ah que paraíso, finalmente um lugar em que se pode beber durante o jantar.
saímos de lá bem alegrinhas, e coloquei meu ipod pra funcionar, garantindo mais um bom tempo de diversão. um sorvetinho, meu novo vício indiano, e mais boas risadas com o sorveteiro, que ficou nos passando suas hindi musics via bluetooth. depois um cochilinho rápido em um canto qualquer do aeroporto e por pouco não perdemos o check in!


mumbai to goa

no avião: Mumbai to Goa


ao chegar em Goa, e depois de respirar aliviada ao ver minha malinha na esteira, novamente decisões a tomar.
com o mapa de Goa em uma mão e o inseparável Lonely Planet na outra, decidimos seguir rumo ao norte: Arambol.
de Dabolim (aeroporto), não tinha muito jeito, tínhamos que pegar um táxi. com preços pré-definidos e absurdos, claro.
fomos até Mapusa, que é uma das maiores cidades ao norte de Goa, e de lá nos arriscaríamos no ônibus local até Arambol.
1 hora, que na verdade são 2 = Rs20 (mais ou menos R$1)
muito muito barato, e por isso nada turístico.
eramos nós e os sorridentes indianos de Goa.

mais uma vez vivendo novas experiências: nunca pensei que pudesse caber tanta gente dentro de um ônibus.
sim, ja vi um busão lotado às 6 da tarde no centro de SP, mas isso? isso é desafiar a física.
a primeira leva é dos sortudos nas cadeiras.
depois as pessoas entram ocupando os corredores.
e quando você acha que não cabe mais ninguém, o cobrador (que também fica em pé na muvuca) passa gritando algo em hindi e abrindo espaço para a terceira leva.
e você que se vire pra achar um lugar pra sua mão no ferro preso no teto, e pra encaixar seu pé em algum lugar entre o saco de batatas e a cesta de peixes.


mapusa to arambol

enlatados


mas ao contrário do que parece, valeu a pena.
as simpáticas senhoras sentadas na cadeira fizeram de tudo pra ajudar a branquinha que tentava se equilibrar com a câmera na mão, e aos poucos fui subindo de posição até sentar sozinha na cabine do motorista, com uma vista privilegiada para aquela linda estrada. mais que primeira classe!
viagem super agradável, engraçada, que nos fez sentir o clima do povo local (incrivelmente mais sorridentes que os lucknowes) e ainda rendeu ótimas fotos.


mapusa to arambol

pessoas, literalmente, saltando pra fora.




mapusa to arambol

sweet goans


beleza não é o forte de arambol. pelo menos não para quem está acostumada com as praias brasileiras.
o céu tem um cor estranha, um azul meio acinzentado, e o mar nada transparente, meio lamacento por estar perto de um rio.
mas o lugar ganha muitos pontos em outro quesito: tem uma energia única e deliciosa.
praia que os hippies estrangeiros escolheram pra morar. vila pequena, com apenas uma ruazinha de terra cheia de barracas vendendo de tudo: panos de todas as cores, roupas, cadernos, esculturas, sapatos de couro, colares, etc.
o que mais encontrei foram mochileiros que chegaram lá para passar um ou dois dias, e já completavam mais de semanas vivendo praticamente como os locais.
entendo o motivo. a praia tranquila, sem agito noturno, tem aquela moleza da Bahia, que te faz querer ficar deitado na sombra o dia todo.
confesso que só sai de lá porque minha companheira de viagem estava impaciente.
do contrário, iria me juntar aos viajantes preguiçosos e prolongar minha estadia até a chuva chegar.


arambol

café da manhã no Mango Tree: vista para Arambol beach




arambol

no mesmo Mango Tree.
foto tirada por um suiço falante apaixonado pelo brasil: fala português quase-que-fluente




arambol

vilinha de cabanas no hotel “Residensea”
na varanda, um dos mochileiros-locais: Ira, de Israel




arambol

dentro da cabana




arambol

rio em Arambol. o mar fica bem em frente




arambol

seguindo o rio: roupas de um holandês-profético que mora no meio do mato há 12 anos




holi em arambol

Holi Festival em Arambol




arambol

entardecer em Arambol


em Goa, venci um antigo medo: motos.
ok, scooter na verdade. mas o fato é que desde que me “esborrachei” na cerca da fazenda tentando aprender a andar de moto, nunca mais me atrevi.
só que em Goa, se você quer conhecer as praias próximas, definitivamente a melhor solução é alugar uma moto ou scooter.
a pé, muito longe.
de carro, muito caro.
transporte público, esquece.
e outra, você encontra scooter pra alugar em cada esquina, e claro, não precisa nem comprovar que sabe dirigir uma.

eu, por exemplo, cheguei para o cara da minha pousada dizendo a verdade:
“ok, have you ever drove one of these before?”
“no never. but I can do it. just teach me.”

apavorado, e depois de me alertar duzentas vezes que se algo acontecesse com a moto eu teria que pagar, ele me deixou testar.
e não é que foi fácil? quer dizer, passada aquela adrelina inicial, e algumas cambaleadas naquelas ruazinhas apertadas de Arambol depois, eu estava pilotando!

e isso tudo pra conhecer uma praia que me disseram ser a mais próxima das praias brasileiras que poderia encontrar na India: Paradise Beach.

e só quando já estava na estrada, lembrei de um pequeno detalhe: não basta ser uma completa principiante, ainda tenho que dirigir pela outra mão!
deu tudo certo, afinal tô aqui pra contar a história. mas que aventura que é dirigir pela esquerda…


paradise beach

caminho para Paradise Beach




goa_paradise beach

na balsa a caminho de Paradise Beach


só a liberdade de dirigir aquela scotter, o vento na cara e aquele caminho maravilhoso já valeríam o passeio.
mas a praia é realmente bonita.
vazia, vazia.
só se ouvia o mar, muito mais chamativo que em Arambol, e com a água na temperatura ideal. melhor mergulho de Goa.
depois de andar uns bons 20 minutos pela aquela imensidão de areia, sem uma sombra, encontramos uma vila de cabanas que depois descobrimos ser um hotel.
muitos gringos por lá, com seus bebês peladinhos dominando a praia. fazendo nada. na paz de deus.
e foi exatamente o que fiz o resto do dia: nada.


paradise beach

Paradise Beach




paradise beach

Paradise Beach




goa_paradise beach

lindo fim de tarde na volta de Paradise Beach


de Arambol, depois de dar uma volta por todas as praias próximas (Baga, Anjuna, Paradise Beach..), seguimos rumo ao sul de Goa: Colva.
mas no caminho, ficamos sabendo de um lugar em Ponda que valia a visita: uma spice farm.
realmente valeu. depois de um tour pela fazenda, aprendendo um pouco sobre cada tempero, um almoço bem servido e bem apimentado, como uma boa comida indiana.
pra abrir o apetite, uma bebida típica, que é um tipo de pinga feita de caju: Feni. deliciosa.


spice farm

no meio do passeio, a sra. elefante pedindo espaço, rumo ao trabalho: banho nos turistas no rio da fazenda.
por um preço pra lá de salgado, claro.


no mesmo dia estávamos em Colva para o pôr-do-sol.
praia tranquila, com muito mais indianos e poucos gringos, e bem família.
highlights:
- spaguetti a bolonhesa e penne ao frutos do mar do Pasta Hut. zero indiano.
- “full body massage” do Gupta no Boomerang, um bar que virou nosso ponto oficial na praia.
- passeio for free no barco que levava as pessoas pra fazer “parasailing”


holi em colva

mais Holi em Colva




colva

Boomerang




gupta

Gupta




colva

entardecer em Colva


nossa última parada antes de Mumbai foi Panaji.
capital de Goa, é um dos lugares mais católicos do estado.
uma vila aparentemente grandinha, com construções que evidenciam a colonização portuguesa.
não, as pessoas não falam português em Goa. na verdade, ouvi dizer que os mais velhos falam, mas não tive a felicidade de encontrá-los.


panaji

Panaji: ônibus católico




panaji

Our Lady Of Immaculate Conception Church




panaji

Our Lady Of Immaculate Conception Church




panaji

Our Lady Of Immaculate Conception Church


estácamos em Panaji porque nosso ônibus de Goa a Mumbai saia de lá.
resolvemos nos aventurar em um sleeper bus. não fazia a menor idéia do que seria, mas pelo nome parecia chamativo. afinal, não estava afim de encarar 12 horas em uma daquelas poltronas de ônibus.
surpresa agradável: poltronas completamente na horizontal, formando uma cama, ar-condicionado, cortinhas e silêncio. não fosse tanta curva na estrada e a falta de banheiro dentro do ônibus, estaria perfeito. hehe..


panaji

pôr-do-sol em Panaji




goa to mumbai

nascer-do-sol de dentro do ônibus, já em Mumbai


ainda passamos um dia super gostoso em Mumbai, mas fica pra uma próxima ocasião.
hoje a estrela é Goa.
ela merece vai.

namastey
camilla

Taj Mahal

•16/03/2009 • 5 Comentários

Aryumand Banu Begam era a esposa favorita do imperador Shah Jahan, conhecida por todos como Mumtaz Mahal, “a eleita do palácio”.
com apenas 39 anos, em 1631, morreu ao dar a luz ao 14º filho do casal. o imperador ficou inconsolável e toda a corte chorou a morte da rainha durante 2 anos. durante esse período, não houve música, festas ou celebrações de espécie alguma em todo o reino.
Shah Jahan ordenou então que fosse construído sobre o túmulo de sua amada, um monumento sem igual, para que o mundo jamais pudesse esquecer.
com dinheiro e poder de sobra, ele começa uma obra grandiosa construída com as maiores riquezas do mundo, com a força de mais de 22 mil homens.
mármore fino e branco das pedreiras locais, jade e cristal da China, turquesa do Tibet, lápis-lazúlis do Afeganistão, ágatas do Yemen, safiras do Ceilão, ametistas da Pérsia, corais da Arábia Saudita, quartzo dos Himalaias, ambar do Oceano Índico.
a “maior prova de amor do mundo” demorou 22 anos para ficar pronta (1630 – 1652), e é cercada por quatro torres, construídas com uma pequena inclinação, para que nunca caiam sobre o edifício principal.
além do Taj, existem vários mausoléus secundários, incluindo os das demais viúvas de Shah Jahan e do servente favorito de Mumtaz.

escutei várias versões para o final da história. vou contar a que mais gosto.

reza a lenda que Shah Jahan queria construir um mausoléu idêntico na margem oposta do rio Yamuna, substituindo o mármore branco por negro. o Taj Negro seria seu mausoléu, o exato espelho do Taj Mahal onde jazia sua mulher.
considerado louco e doente, o imperador foi destronado por seu filho, Aurangzeb, e exilado no forte de Agra. pelo resto de seus dias observou o Taj Mahal apenas pela janela.
depois da morte de Shah Jahan, em 1666, Aurangzeb sepultou-o no mausoléu lado a lado com a esposa, gerando a única ruptura na perfeita simetria do conjunto.

….minhas impressões?
como já disse, a India me faz sentir coisas que não acreditava ser possível. sensações que não imaginava que pudessem caminhar juntas, mas que aqui fazem perfeito sentido.
uma parte de mim ficou maravilhada ao ver tanta beleza. aquele monumento grandioso preenche o coração e te faz querer respirar fundo.
mas havia uma outra parte angustiada, apertando o peito, deixando o mesmo coração pequeninho. vendo tudo aquilo, não pude deixar de pensar às custas de quanto sofrimento ao longo de 22 anos, aquela perfeição deve ter sido construída, apenas por um capricho de um imperador megalomaníaco.
nem eu sei explicar tanta contradição. só sei que foi forte.

sim, monumento “manjado”, turístico, facada pra entrar e os clássicos grupos de turistas japoneses clicando 50 fotos por segundo.
sem dúvida um clichê. mas é aquela coisa, clichês só se tornaram clichês por serem verdades inconstestáveis.
e o Taj Mahal é, merecidamente, o maior clichê indiano.


taj

sol nascendo por trás do east gate, uma das 3 entradas do Taj.




taj

primeira visão do Taj.




taj

vista do Taj. portão principal e jardins.




agra.

amanhecendo no Taj.




taj

detalhe do mármore trabalhado e flores feitas com pedras semi-preciosas. dizem que todos os desenhos são completamente simétricos. até a quantidade de pétalas de cada flor, e a distância entre elas, é a mesma.




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inscrições retiradas do Corão.




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muçulmanas no Taj.




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uma das duas mesquitas laterais.




taj

no jardim




taj

no jardim




taj

fonte em obras.

Casamento hindu

•06/03/2009 • 10 Comentários


hindu marriage


nunca pensei que pudesse voltar de um casamento do jeito que estou agora. triste. muito triste. angustiada, em uma montanha-russa de sensações.
arranjado, como 70% (estimado de acordo com uma rápida pesquisa entre indianos. alguns dizem até 90%) dos casamentos hindus hoje.
sem amor. sem quase nenhum contato antes daquele momento. os noivos se viram duas vezes, e mal sequer se cumprimentaram, deixando para os pais toda a “negociação”.
digo negociação porque como em qualquer casamento hindu – salvo exceções como alguns “love marriages” – junto com a noiva, um belo dote será entregue a familia do noivo, pelo gastos futuros que eles terão já que mais um membro entra para a família.
aqui na India o conceito de família é muito forte. ao casar, não há essa quebra de laços entre filhos e pais. o filho leva a mulher para sua casa, e continua a viver com os pais. a filha vai viver na casa da familia do noivo, juntinho com a sogra para todo sempre. a não ser que dê a sorte do noivo ser chamado para trabalhar em outra cidade.
o casamento, portanto, é um momento de pura formalidade onde quem dá a última palavra é a família. os pais, avós, tios, vão decidir se aquela mulher pode fazer o filho deles feliz. o que define? se sabe cozinhar, é bonita, de boa família, tem dinheiro, estudos, se trabalha.
curioso ver que o fato de uma mulher trabalhar pode ser visto como um ponto positivo e até necessário para os mais liberais, como pode ser um fator impeditivo se a família do noivo é muito conservadora e acredita que lugar de mulher é em casa cuidando dos filhos.
tudo depende. mas definitivamente o amor não entra na balança. isso se aprende com o tempo, eles dizem. você aprende a amar sua mulher quando vê que ela cuida de você quando está doente, prepara seu almoço, toma conta dos seus filhos – homens, de preferência -, é uma boa esposa e boa mãe: “tenho que amar essa mulher”. e pronto, se convence de que o amor está lá para não pensar que pode estar em uma vida infeliz para o resto de sua vida.
“vocês ocidentais trocam de mulher sem pensar nas relações familiares, sem dar valor”.
realmente, é verdade. banalizamos o casamento. pessoas casam com a mesma rapidez que se separam. afinal, o divórcio não é nenhum grande problema. ah, se não der certo separa. também não acho que o casamento deva ser tratado assim, com total falta de seriedade e real envolvimento.
mas ao menos o motivo de (quase) todas as nossas uniões é o amor.
e é isso que torna nossos casamentos tão bonitos e cheios de emoção. os noivos com a felicidade estampada na cara, a mulherada chorando e as solteiras com aquela vontadezinha de querer viver aquele momento tão especial também.
é uma celebração ao amor. duas pessoas que se amam se unindo, por livre e espontânea vontade, para construir uma vida juntos.

duas pessoas que se amam.
livre e espontânea vontade.

amor.
liberdade.

ao pensar nisso a tristeza tomou conta de mim essa noite, e discretamente chorei. chorei ao pensar que aquela mulher de olhar melancólico provavelmente nunca vai saber o que é amar uma pessoa.
nunca vai viver uma paixão daquelas que o coração chega a doer. aquele sentimento tão forte e profundo que parece não caber dentro de você. que te faz querer ser uma pessoa melhor. o sorriso insiste em permanecer na boca 24h por dia.

sim, estou generalizando, dramatizando e exergando a história só com olhos ocidentais. tenho certeza que mulheres na mesma situação estão felizes de casar com um desconhecido, porque “cumpriram seu papel” na sociedade e tranquilizaram o coração dos preocupados pais.

não sei, pode ser apenas uma ilusão de uma recém-mulher de 23 anos. mas agora, na cama, sem conseguir dormir ao lembrar do olhar aprisionado daquela noiva, só consigo ser grata por já ter vivido um sentimento tão grande e bonito, que nos faz pessoas melhores e definitivamente mais felizes, não importa quanto tempo isso dure.

nasmastey
camilla

“Soneto de Fidelidade

De tudo, ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento.

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.

Vinicius de Moraes”




o casamento


hindu marriage

baraat: carro todo iluminado, banda atrás do carro, família e amigos do noivo atrás da banda. para enfeitar e iluminar o caminho, luzes coloridas na cabeça de jovens e cansados trabalhadores. o noivo vem atrás em um carro cheio de flores. percorre-se um trecho de mais ou menos 1km até chegar na entrada do casamento, onde a família da noiva já está a espera.




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luzes na cabeça.




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baraat chega na entrada da festa. luminoso anunciando o casamento da vez.




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noivo no altar.




hindu marriage

espera do noivo.




hindu marriage

sem nenhum romatismo, trocam o colar de flores com o som da pista de dança ao fundo (“dance music” daquelas de 5 anos atrás), um quantidade surreal de cameras filmando e fotografando o momento, pessoas por todo o canto da festa comendo nas várias barraquinhas (estilo festa junina), e meia dúzia de convidados realmente prestando atenção na cerimonia.




hindu marriage

poses para fotos e tumulto em volta dos noivos durante todo o tempo.




hindu marriage

fotógrafos tem vista privilegiada para registrar todos os momentos. ficam TODOS na frente no altar, de cara para os noivos. os convidados que se virem para encontrar um espacinho que consigam ver a cerimonia.




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os convidados especiais.




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pose para fotos. felicidade dos pais ao ver os filhos casados contrasta com a cara triste e preocupada dos noivos.

Agra além do Taj Mahal

•27/02/2009 • 12 Comentários

fui pra Agra semana passada.
aproveitei que minhas amigas gringas estavam indo e dei uma escapadinha do trabalho. sexta e sábado.
gooood, como costumo dizer por aqui.
fui fazer o mesmo que 90% (provavelmente mais, mas não tenho dados oficiais para comprovar) das pessoas que vem a India fazem: ver o famoso Taj Mahal. Taj, para os indianos mais íntimos.
sim, ele é realmente incrível. mas Agra não é só monumentos. por isso, deixo o Taj para uma futura ocasião e agora me atenho as minhas outras experiências, mais particulares, mas nem por isso menos incríveis.
duas delas agradavelmente aconteceram no mesmo lugar. um restaurante chamado Joney’s Place. nem preciso dizer o nome do chef.
o almoço mais delicioso que tive desde que cheguei a India.
de loonge.
dica de um alemão muito doido que estava morando em Agra havia 4 meses, e comia no Joney todo santo dia. segundo ele, “you won’t find better food here, even in 5 star hotels. trust me.”
eu confiei. e assim que provei o malai kofta e o banana lassi do Joney, só consegui agradecer por ainda ter 2 dias inteiros pra provar o resto do cardápio.




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Joney’s Place (o de amarelo lá dentro é o Joney)




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Joney: o cara é bom.


o mais impressionante é a completa falta de estrutura do lugar.
um mini restaurante com algumas mesas, e todas aquelas maravilhas saindo de uma cozinha minúscula que se resume a uma geladeira velha, um fogão de 2 bocas e meia dúzia de panelas, separada do “salão” apenas por um balcão.
os ingredientes ficam lá a vista de todos, e é comum ver o filho caçula do Joney sair correndo do restaurante com alguns rupees na mão pra comprar na barraquinha do lado, os ingredientes que estão faltando.




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filho mais velho e aprendiz na cozinha


os mais pedidos:
malai kofta - tipo um bolinho de batata feito com alho, tomate e queijo, e coberto por um molho incrível, e “not spicy”!!
banana lassi - uma bebiba feita com yogurte, banana e açúcar. tem em todo lugar mas o de lá é imbatível. ainda mais com o toque especial: antes de servir eles jogam um pouco de coco ralado e canela por cima. viciante.
garlic nan / garlic roti - o nan e o roti são pães bem típicos daqui. não comi tão bons quanto os do Joney em lugar algum. ainda mais esses com um toquezinho de alho fritinho por cima.
cheese tomato jayflees – nada mais que um sanduíche de queijo feta e tomate. simples mas delicioso. até levei um pra minha viagem de volta. “24 hour good”, segundo o sorridente filho do Joney.




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salão ao fundo e cozinha a direita




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mais Joney’s: as engraçadíssimas polonesas Joanna e Silvia




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eu e a holandesa Kathrine depois de um longo dia de caminhadas




ok. já seria um belo achado, mas ainda teríamos mais surpresas agradáveis.
nos meus primeiros minutos no Joney conversei com um velhinho pra lá de simpático. falava pausada e suavemente seu inglês perfeito. voz doce e um enorme sorriso, que só fazia deixar mais evidentes as rugas no seu rosto.

pessoa especial, pensei.

depois do almoço sentei pra ler o enorme livro de recados do Joney. gente do mundo inteiro basicamente agradecendo os momentos de prazer gastronomico proporcionados por ele.
mas um recado me chamou a atenção. além da clássica menção ao malai kofta, a espanhola falava de um velhinho e seus fabulosos perfumes.

perfumes?

fui descobrir que o sr. Haniff era frequentador assíduo e amigo do Joney, e aproveitava o sucesso tremendo do restaurante pra vender suas criações.
muito interessada fui até o simpático velhinho e pedi para conhecer seus perfumes.

com o mesmo sorriso, ele tira de debaixo da mesa uma maleta velha, fechada apenas com a ajuda de um barbante e diz: “this is my shop”.
dentro da perfumada maleta, frascos com liquidos de diferentes cores e os mais deliciosos aromas: jasmim, sândalo, lótus (“the buda flower”)…

impossível sair de lá sem levar alguns frasquinhos, e ainda ficar na dúvida se escolheu os melhores.




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a loja




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os perfumes




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o dono da loja


antes de voltar, fiz questão de deixar o meu recado no caderninho do Joney, com uma menção especial a simpatia e malandragem (bem brasileira, devo dizer) dos seus três filhos, o surpreendente malai kofta , e o sorriso doce do sr. Haniff.

namastey
camilla

my first hindi lesson

•19/02/2009 • 7 Comentários

umas das grandes ignorâncias da minha parte antes de vir pra cá foi realmente acreditar que a maioria das pessoas falaria inglês, e isso era uma coisa que não teria que me preocupar.
vou mostrar em números o quanto eu estava errada.
apenas 5% da população total da India fala inglês. 5%.
todo o resto fala um dos 1.652 dialetos (estimativa) falados na Índia. 23 oficiais, sendo hindi o mais popular.
ok, se levarmos em conta que a India tem 1.300.000.000 de habitantes, a coisa muda de figura.
5% de 1.3 bilhão = 65 milhões de pessoas
é muita gente. segundo fontes indianas, a India é o “biggest english speaking country outside usa”. difícil não ser verdade.
ao mesmo tempo, o outro número assusta mais.
são 1.235.000.000 de pessoas falando hindi.

resolvi que alguma coisa vou ter que aprender se quiser me manter aqui.
primeira coisa que a gente aprende quando chega em um país diferente? “eu não sei falar sua língua”. hahaha. louco isso.
mas ok, questão de necessidade. para evitar longos monólogos indianos.

mai hindi nahi janti
i don’t know hindi
obs: o “h” tem som de “r”, como “home”.
obs’: “mai” se fala “mê”

mas sabe? não adiantou nada. eles continuam falando sem parar, super animados, mesmo depois de eu ter jurado – em hindi!! – que não entendo uma palavra do que estão dizendo. as criancinhas então, são capazes de ficar horas falando com você, com o sorriso mais inocente do mundo.

os básicos, impossível conversar com um indiano e não ouvir:

nahi – no
haa – yes
theek – ok
achha – yes/good/ok (escuto isso o tempo todo. e eles repetem no mínimo duas vezes: “achha, achha!”)

o necessário para me virar sozinha no mercado ou com os rikshaws:

kitna paisa?
how much rupees?

bahut hai!
too much!

esses dias aprendi umas novas importantíssimas:

mai tourist nahi hoon
i’m not a tourist

mai yahan rahti hoon
i live here

pra eles tomarem vergonha na cara e pararem de me cobrar 5 vezes o valor justo só porque tenho cara de gringa.

e como sou bem educadinha:

namastey / namaskar
good morning / good night / goodbye
uma saudação amigável

dhanyawad
thank you

por último:

mai ap se pyar karti hu
i love you

esse definitivamente não precisei. e duvido que vá precisar…

namastey

 
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